Brasil poderá ter indústria de semicondutores orgânicos
O Ministério da Ciência e Tecnologia deverá publicar neste mês de Setembro o Estudo sobre Aplicações Tecnológicas de Semicondutores Orgânicos, uma pesquisa realizada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) que visa traçar rumos para o desenvolvimento de uma indústria nacional de eletrônica orgânica. Eletrônica orgânica no Brasil Coordenado pelo pesquisador Anderson Gomes, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o estudo envolveu 12 especialistas - cientistas, empresários e economistas, que trabalharam a partir de setembro de 2006 para produzir um documento detalhado e, nas palavras de seu coordenador, propositivo.O grupo levantou as competências nacionais na área, comprou estudos sobre o mercado internacional e participou de conferências na Ásia, Estados Unidos e Europa. O levantamento organizado pelo CGEE revela com clareza que há uma oportunidade que o Brasil pode aproveitar nesse assunto.Embora a área seja considerada recente, já há aplicações tecnológicas e em produto, em fase inicial de desenvolvimento. “O estágio internacional do mercado e das tecnologias que identificamos mostra que há uma oportunidade para o País. Chegamos a uma proposta para o aproveitamento dessa oportunidade: em que nichos entrar, como entrar e quanto vai custar para entrarmos, nos próximos quatro anos. O estudo é propositivo”, explicou Anderson a Notícias do CGEE. Semicondutores orgânicos Tradicionalmente, a eletrônica baseia seus dispositivos - transistores, diodos, diodos emissores de luz - em silício ou outros materiais inorgânicos como o germânio e arsenieto de gálio. Nos anos 1970, no entanto, os cientistas Alan Heeger, Alan MacDiarmid e Hideki Shirakawa descobriram que plásticos (que são feitos de carbono) podem conduzir eletricidade.Foi aí que se inaugurou a área de pesquisas em semicondutores orgânicos. Em 2000, esses cientistas ganharam o Prêmio Nobel de Química, o que significou o reconhecimento da importância da descoberta e de seus desenvolvimentos subseqüentes e da possibilidade de usar material orgânico para substituir o silício na eletrônica.Alguns produtos que incorporam polímeros condutores, conforme jargão da área, já chegaram ao mercado - como telas plásticas de relógios, painéis eletrônicos de carros e telas de aparelhos de MP-3 (tocadores de arquivos sonoros digitalizados). A situação do Brasil O estudo detalhou o estado da arte no País. O levantamento mostra que o investimento já realizado pelos diversos níveis de governo, de 1995 até os dias atuais, em linhas de pesquisa ligadas a semicondutores orgânicos, chega a R$ 22,6 milhões.O Instituto Multidisciplinar de Materiais Poliméricos, com sede
O projeto da língua eletrônica, sensor baseado em semicondutores orgânicos desenvolvido na Embrapa Instrumentação Científica, também
Para outras linhas de pesquisa relacionadas à área, o investimento alcançou R$ 5 milhões. O estudo destacou que, para a formação de recursos humanos para a área, o dispêndio estimado chegou a R$ 3,6 milhões, de
O esforço em pesquisa científica, como acontece com freqüência no País, não se traduziu ainda em produtos e aplicações. Embora o estudo tenha encontrado 624 pesquisadores nos temas ligados à eletrônica orgânica, que produziram 607 artigos científicos no período 2000-
Roteiros de ação
O estudo traz também dois roteiros de ação, os chamados roadmaps - um tecnológico e outro estratégico. O que norteia este último é a visão assim definida: “Ter um sistema produtivo brasileiro integrado à cadeia de valor mundial de produtos utilizando semicondutores orgânicos”.O primeiro, o tecnológico, delimita as cadeias produtivas para três linhas de produtos e a aplicação de mercado almejada. Os roadmaps sintetizam as informações obtidas e apontam o caminho para chegar ao futuro desejado.
Áreas estratégicas
Anderson Gomes conta que há quatro nichos de mercado que deverão ser ocupados por semicondutores orgânicos no horizonte temporal do estudo - até 2020. São eles: LEDs orgânicos, sensores, células fotovoltaicas e RFID (identificação por rádio freqüência).O estudo concluiu que o Brasil deve se concentrar nas três primeiras. Delas, a mais promissora, e com resultados possíveis em curto prazo, é a área de mostradores de tamanho pequeno - para celulares, por exemplo. “Será o primeiro produto de massa no mercado internacional”, afirma o coordenador.O Brasil tem as condições para se colocar nesse nicho de mercado, a tempo de ser competitivo - desde que reúna as competências na área científica e tecnológica à atração do setor privado. Para isso, o estudo propõe a utilização de um instrumento chamado Sociedade de Propósito Específico, previsto na Lei de Inovação.
Sociedade de propósito específico
Uma sociedade de propósito específico permite às empresas privadas associarem-se a universidades ou centros de pesquisa públicos para formar firmas de capital misto com objetivos específicos.A vantagem desse dispositivo é permitir o investimento direto do governo na empresa, por meio da universidade ou do centro de pesquisa - o estudo menciona um investimento público da ordem de R$ 7 milhões.Outra maneira de atrair o interesse das empresas seria o governo determinar que uma percentagem dos mostradores de celulares passe a ser fabricada no País a partir de uma data conveniente. O estudo mostra a conveniência de estabelecer a sede da sociedade de propósito especifico em Pernambuco ou
Sensores e células fotovoltaicas
Para as outras duas linhas de produtos - sensores e células fotovoltaicas, dado o fato de a chegada deles ao mercado demorar mais que a dos O-LEDs para mostradores, o arranjo institucional proposto é diferente.Para encurtar a distância entre o conhecimento produzido na academia e o mercado, a recomendação do estudo aqui é diferente: criar unidades industriais dedicadas a sensores e células fotovoltaicas em institutos de pesquisa. “O MCT escolhe, entre seus institutos, aqueles mais afeitos à área e cria ali um laboratório voltado para a tecnologia industrial”, explica o pesquisador da Federal de Pernambuco. “No futuro, esses laboratórios industriais poderão se atrelar à sociedade de propósito específico”, completa.O estudo também calculou o investimento necessário para o Brasil ter um lugar nesses três nichos: R$ 40 milhões, em quatro anos. Não é muito. “É que se o governo investir, sinalizar que tem interesse e que fará uma política para os semicondutores orgânicos, vai captar 10 vezes mais do setor privado”, confia o coordenador. “Não precisamos perder o bonde neste caso, como perdemos com os semicondutores convencionais!”, finaliza.O Ministério da Ciência e Tecnologia deverá publicar neste mês de Setembro o Estudo sobre Aplicações Tecnológicas de Semicondutores Orgânicos, uma pesquisa realizada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) que visa traçar rumos para o desenvolvimento de uma indústria nacional de eletrônica orgânica.
Artigo por CGEE
Thursday ~ September 09, 2007 by Isaque Vieira MagalhãesPosted in Desenvolvimento, Econômia|

