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Morte anunciada do ensino no Brasil

Ao ler um jornal de grande circulação, uma revista ou o noticiário na TV, vemos reportagens e mais reportagens que mostram a degradação de nossa sociedade, e qual a fonte de tal mal?

Todas as respostas apontam para o mesmo caminho educação, ou melhor a falta  dela, creio que os leitores devem ter visto  algumas reportagens  sobre escolas públicas mal conservadas, com sua infra-estrutura em alguns casos comprometida, falta de mobiliário e todo o material básico para o exercício do ensino, professores e alunos desolados convivendo com o total abondono, a que se junta ao noticiário sobre greve de mestres, médicos, policiais.

Na minha opinião acho legitimo o direito de manifestação de que todas as categorias tem direito (eis ai um dos princípios basilares da democracia), mas devemos nos conscientizar e refletir sobre o impacto real que a paralisação de certas categorias por entender que nesses casos quem sofre é o povo diante da incúria da autoridade. Em fase de tantos descasos até que se justificariam se não fossem baseados apenas em reivindicação salarial. Creio que todos (ou pelo menos a maioria) estaria de acordo se o objetivo visasse ao reaparelhamento de hospitais, escolas adequadas, condições de trabalho enfim, apesar da justificativa que a manutenção salarial tem um objetivo também social (pois visa o sustento) acredito que seja digno que todos e não apenas uma parte da sociedade tenha acesso ao mesmo.Procuro balancear os dois conceitos, de condenação e apoio, tentando achar uma variante, mas o problema e antigo e cresce de forma assustadora, se baseando que a escola deve ensinar, o que não vem fazendo há muito tempo. Nas lembranças de alguns antigos mestres que tive a oportunidade de ser discípulo, lembram de forma nostálgica do ambiente escolar de décadas atrás, onde a escola transmudou-se, as personagens se alteram e os que eram diretores, professores, alunos, transformaram-se em negociantes, lideres sindicais, cavadores de diplomas.

 Concordo que fomos levados a isso pela conjuntura econômica (não estou aqui querendo fazer uma releitura do velho e empoeirado livro vermelho), fomos automatizados, perdemos a noção do correto e do justo, matando a convivência sadia e proveitosa. A escola não ficando imune a estas influencias, dispiu-se de sua característica de atividade formadora, educativa, democrática, disseminadora de conhecimento e bons hábitos para entrar na mesma liça de competição desenfreada, interesses individuais, ganhos e exercícios de política rasteira. Não mais cumpre sua finalidade de ensinar e, pior, não se lhe está exigindo essa obrigação. Os professores, premidos pela crise, têm seu pensamento preliminar, talvez único, voltado para o salário, percentuais, comissões, gratificações, debates, greves e paralisações; o corpo descente descarrega todas as pressões do aluguel, transporte, desemprego em cima do símbolo mais próximo da autoridade que é a direção de um estabelecimento de ensino; os administradores escolares nem sempre educadores procuram equilibrar suas contas ora em detrimento da qualidade ora em exploração de sua clientela e dos que lhes prestam serviços ( direcionada exclusivamente ao lucro).

Nesse quadro, não se ensina. Os dias passam na expectativa de que o seguinte não seja tão ruim e se criou um perverso  conluio, um acordo entre as partes de não se aborrecerem mutuamente, de não haver cobranças recíprocas, de todos fazerem de conta de que tudo anda bem, não se ensina, não se aprende, não se trabalha, cumpre-se os semestres e os períodos e ninguém  liga ou reclama.O aluno já não encontra o ambiente acolhedor e amigo, ele apenas e o pagante ou o infeliz carente e, até, o adversário, mas no caso, “o freguês” não tem razão porque, infelizmente, ele também não esta com disposição de exigir um rigor maior, importando-lhe, tão somente, uma mensalidade menor. O mestre se bem formado (o que e raro nos dias de hoje) e vocacionado sente-se desestimulado e representa seu papel com o mínimo de esforço e o maximo possível de faltas (sendo abonadas), o trabalho equivale ao que se paga por ele…Assim, o que não se faz em uma escola onde todos os personagens, hoje, encenam uma farsa, fingindo que administram, fingindo que ensinam, e fingindo que aprendem, o que não se faz e ensinar.

Como conclusão é obvia, nesses termos como teatro vem a pergunta para que escola? Seria mais fácil orçar o serviço, e o preço do papel e da gráfica e entregar-se o diploma.Espero que um dia haja o retorno do animo aos educadores, que se promova o retorno a uma passado na escola de nossos pais e avós que ensinava e era motivo de orgulho, que se devolva à escola pública verbas e pessoal habilitado, que se libere a escola particular e se a redima dos vilipêndios que tem recebido. Escolas com professores capazes, direção ativa e criadora, alunos motivados, convivência amiga, entrosamento, projetando-se na comunidade e por ela amparada é sem dúvida uma foto antiga e amarelada que os verdadeiros educadores guardam como exemplo e ainda trazem como esperança.

Wednesday ~ September 09, 2007 by Isaque Vieira MagalhãesPosted in Educação|

 

 

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