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No que a Índia pode nos servir de exemplo

Lendo uns artigos na internet me deparei com este  artigo com uma interessante analise do ponto de vista econômico.

Segue o artigo na integra: 

“O mercado de serviços de tecnologia da informação (TI) - que inclui tudo o que não é hardware - movimentou US$ 9,09 bilhões no Brasil em 2006, de acordo com estudo da consultoria AT Kearney. São números expressivos para o mercado interno, reflexo da presença por aqui de subsidiárias da maior parte das 500 maiores organizações do ranking da revista Fortune.


O Brasil ocupa o 12 lugar entre os países que mais gastam com software e serviços. A primeira posição fica com os Estados Unidos, que demandam algo em torno de US$ 530 bilhões ao ano com serviços de TI.
O Brasil possui um grande parque tecnológico e uma comunidade de TI com profissionais altamente qualificados e criativos. Nossa localização geográfica, o fuso horário privilegiado e o fator custo nos aproxima dos mercados americano e europeu, altamente demandantes por serviços.
Além disso, somos reconhecidos como a nação que possui a tecnologia mais avançada em meios eletrônicos de pagamento, sendo nosso sistema bancário referência para muitas nações que começam a aperfeiçoar seus sistemas financeiros. Apesar de todo esse know-how, não conseguimos exportar mais de 1% de todos os serviços de tecnologia que demandam as empresas norte-americanas. Desse mercado gigantesco de meio trilhão de dólares, a maior parte (84%) é abocanhada pela Índia.
Existem algumas razões que podem explicar tamanha diferença. A primeira delas é o idioma. Nisso, a Índia pode ter sido ligeiramente privilegiada por conta de sua colonização inglesa, que incorporou o inglês como segundo idioma do país, mas também foi fruto de investimentos maciços por parte do governo indiano, que há pelo menos duas décadas detectou que o país poderia tirar proveito de um mercado que estava apenas nascendo para gerar riquezas para uma nação na qual a riqueza e a miséria convivem lado a lado.
Por não demandar pesados investimentos em infra-estrutura, o segmento de software na Índia foi ganhando cada vez mais espaço e hoje o país asiático é reconhecido como o maior exportador de talentos nessa área, especialmente para o mercado norte-americano. Fruto dos pesados investimentos em educação feitos pelo governo e pelas empresas privadas na Índia, que culminaram na formação de uma massa de profissionais que ajudaram o país a se tornar uma potência mundial quando o assunto é software. A Índia é uma nação que forma anualmente mais de 400 mil engenheiros, grande parte atuando nos departamentos de tecnologia da informação em grandes empresas do setor.
Para se ter uma idéia, no ano fiscal encerrado em março de 2007, a Índia somou mais de US$ 30 bilhões em vendas externas de serviços de TI, enquanto o Brasil exportou cerca de US$ 800 milhões no ano calendário 2006. É pouco se comparado ao grande potencial que o Brasil possui para se tornar uma plataforma de exportação “nearshore”, tanto para os Estados Unidos quanto para Europa e os demais países da América Latina.
Ser um exportador nearshore significa que podemos prestar serviços de tecnologia da informação em tempo real para países próximos em termos de geografia e, principalmente, de fuso horário, caso dos Estados Unidos, de onde estamos há duas ou três horas de diferença de cidades importantes como Nova York, Chicago e Washington, por exemplo.
Este é um momento importante para que o Brasil dê um passo à frente na busca por uma fatia importante deste mercado, visto que a Índia começa a dar sinais de esgotamento de sua capacidade de atendimento à demanda global e a China, apesar de sua alta capacidade de crescimento, agrava o problema relativo ao fuso horário e ao idioma.
Só com um grande contingente de profissionais bem preparados conseguiremos suprir a demanda interna e concentrar nossos recursos também para exportação. A oportunidade existe e está em nossas mãos. Para isso é fundamental o investimento em educação, tanto de base quanto técnica, assim como fez o governo indiano.
Isso inclui sinergias e alianças entre empresas, universidades, poder público e sociedade para viabilizarmos a formação de novos profissionais, visando atender à demanda global e, com isto, proporcionar crescimento econômico, geração de divisas e mais oportunidades de emprego qualificado”.
Artigo: (Gazeta Mercantil) CESAR CASTELLI* - Presidente da Tata Consultancy Services do Brasil (TCS))

Sunday ~ February 02, 2008 by Isaque Vieira MagalhãesPosted in Desenvolvimento, Econômia|

 

 

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